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Câmara Municipal de Valongo
titulo

 

 

 

 

 

 

 

 


Projecto
"Conservação de quatro espécies raras em Valongo"
(sítio PTCON00024)

Projecto | Entidades | Equipa | Espécies | Legislação | Bibliografia

Espécies

Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica)

A salamandra-lusitânica foi descrita em 1864 por J.V. Barboza du Bocage, que se baseou na particularidade de esta espécie possuir uma língua pedunculada branca (do latim chio = neve e glossa = língua) e na sua descoberta em terras lusas, para lhe atribuir o actual nome científico. Esta espécie é o único representante do género Chioglossa e possui várias características de grande peculiaridade entre os anfíbios, que lhe conferem um elevado interesse científico e conservacionista.

Uma das suas características mais notáveis é a capacidade de libertar a cauda quando ameaçada. Este processo é altamente invulgar entre os anfíbios, encontrando-se apenas descrito numa salamandra que habita na região do Cáucaso e em algumas salamandras americanas. Outra particularidade deste anfíbio é a ausência ou residualidade de pulmões.
Salamandra-lusitânica (José Teixeira ©)

Esta característica, associada à sua morfologia particular, permite-lhe deslocar-se agilmente tanto em meio terrestre como em meio aquático. No entanto, esta característica contribui significativamente para as elevadas exigências ecológicas desta espécie, que necessita de ambientes saturados de humidade.

A sua distribuição encontra-se circunscrita a áreas de clima temperado, com precipitação anual superior a 1000 mm. Estas características correspondem ao noroeste da Península Ibérica, numa área que compreende as Astúrias, a Galiza e a parte oeste das regiões centro e norte de Portugal. Dentro da sua área de distribuição esta espécie habita em zonas montanhosas junto a ribeiros de águas límpidas, bem oxigenadas e com vegetação abundante nas margens.

Apesar do estado actual de conservação das populações de salamandra-lusitânica ser aparentemente aceitável, as suas estritas exigências ecológicas e a sua distribuição restrita tornam esta espécie muito vulnerável a alterações do habitat. Assim, os principais factores de ameaça são a poluição das águas, a destruição ou desflorestação das zonas ribeirinhas e habitats envolventes e a canalização e desvio de cursos de água para fins agrícolas.

 

A salamandra-lusitânica no Sítio "Valongo"

Em 1962, quase um século após a sua descoberta, foram encontrados os primeiros ovos desta espécie precisamente numa mina situada na serra de Valongo. Anos depois foram descobertas mais três minas, localizadas relativamente perto daquela, e de características idênticas, onde é possível encontrar centenas de ovos, colocados debaixo de pedras ou nas paredes das galerias
Mina das Águas Férreas (José Teixeira ©)

Desde então foram realizados vários estudos nesses locais, que revelaram possuir uma importância inquestionável na conservação da salamandra-lusitânica. Além das minas, esta espécie, no Sítio "Valongo", pode, também, encontrar-se nas margens e afluentes dos rios Simão e Ferreira. No entanto, e tendo em atenção a forte dependência de condições ambientais específicas desta espécie, a poluição destes rios e a florestação das suas margens e habitats envolventes, normalmente associada à plantação florestal de monoculturas de exóticas, constituem actualmente fortes factores de ameaça para as populações aí existentes.


Lycpodiella cernua

Lycopodiella cernua (L.) Pichi Serm.

Família: Lycopodiaceae

Este licopódio é uma pteridófita de caules estolhosos prostrados, radicantes nas extremidades apicais, revestidos de folhas esparsas, emitindo numerosos ramos até 40 cm, erectos e muito ramificados dando à planta um aspecto dendróide. Produz estróbilos, nas extremidades de pequenos ramos recurvados, com 5 a 10 milímetros, oblongos e amarelados, voltados para baixo quando maduros.

Ocupa taludes e outros sítios húmidos e sombrios.

Com distribuição predominantemente tropical, na Europa ocorre apenas em Portugal Continental (sendo uma única população conhecida, na Serra de Valongo), em algumas ilhas dos Açores e na Sicília. Este padrão de distribuição deixa adivinhar um carácter reliquial de paleoclimas mais quentes, representando os locais onde ocorrem as populações actuais autênticos refúgios onde esta planta se manteve até aos nossos dias.No território continental português, esta planta foi colhida pela primeira vez em Fevereiro de 1915, na Serra de Santa Justa (Valongo), e, segundo SAMPAIO (1915), não era "nada rara naquela parte da Serra".

Actualmente, parece estar confinada à beira e talude de um caminho, numa extensão não superior a 200 metros. O local encontra-se fortemente intervencionado, tendo implantada nos terrenos envolventes uma exploração de eucaliptos que impede a instalação da vegetação natural e põe em risco a viabilidade da população de L. cernua. Apesar disso, observações recentes permitiram verificar que a população se encontra aparentemente em recuperação.

Dada a sua distribuição restrita em Portugal, torna-se urgente intervir no sentido de proteger esta população. Esta espécie consta do anexo V da Directiva 92/43/CEE, e a única população conhecida encontra-se inserida no Sítio da Rede "Natura 2000" PTCON00024 ("Valongo"). Foi recentemente proposto, no âmbito do projecto "Distribuição Geográfica e Estatuto de Ameaça das Espécies da Flora a Proteger", que lhe fosse atribuído o estatuto de "Espécie Crítica" para Portugal.


Distribuição geográfica de Lycopodiella cernua.

 

Trichomanes speciosum

Trichomanes speciosum Willd.

Família: Hymenophyllaceae

Este feto apresenta umas frondes translúcidas, constituídas por uma só camada de células, 3-4 pinadas e com 20 a 35 centímetros de comprimento. Tem rizoma delgado, prostrado e radicante, coberto por pêlos escuros. Forma indúsios cilindróides nas pínulas, dos quais saem os receptáculos esporangíferos, que parecem pestanas.

Este feto possui requisitos ecológicos muito específicos: é uma planta rupícola, ou seja, vive instalada sobre rochas, geralmente em locais sombrios e húmidos. Por ser uma planta termófila, é considerada uma relíquia florística, tendo sido certamente mais frequente nos períodos mais quentes e húmidos do Holoceno, em que dominava a paisagem um bosque semelhante à laurissilva actualmente observável nas ilhas da Macaronésia.

Distribui-se pelo Ocidente da Europa e Macaronésia, sendo conhecida em Portugal Continental uma única população na Serra de Valongo.

Dada a distribuição restrita desta planta em Portugal, torna-se urgente intervir no sentido de a proteger. No que diz respeito a medidas de conservação, a espécie consta dos anexos II e IV da Directiva 92/43/CEE, e a única população conhecida encontra-se inserida no Sítio da Rede "Natura 2000" PTCON00024 ("Valongo"). Foi recentemente proposto, no âmbito do projecto "Distribuição Geográfic
a e Estatuto de Ameaça das Espécies da Flora a Proteger", que lhe fosse atribuído o estatuto de "Espécie Crítica" para Portugal. Como medidas práticas de conservação, propõe-se a limpeza e preservação dos fojos das Serras de Valongo, em cujas cercanias deverá ser reconstituída, de forma gradual, a vegetação florestal autóctone característica da região.


Distribuição geográfica de Trichomanes speciosum


Culcita macrocarpa

Culcita macrocarpa C.Presl

Família: Dicksoniaceae

O Feto-de-cabelinho (Culcita macrocarpa) é um feto robusto, com frondes que podem superar os 2 metros. Possui um rizoma grosso com pêlos avermelhados finos e os soros são marginais, localizados no ápice das nervuras.

Este feto possui requisitos ecológicos muito específicos: é uma planta rupícola, ou seja, vive instalada sobre rochas, geralmente em locais sombrios. Por ser uma planta termófila, é considerada uma relíquia florística, tendo sido certamente mais frequente nos períodos mais quentes e húmidos do Holoceno, em que dominava a paisagem um bosque semelhante à laurissilva actualmente observável nas ilhas da Macaronésia.

A sua distribuição actual na Europa é muito localizada, ocorrendo apenas pontualmente nos Açores, no Ocidente de Espanha e no Noroeste de Portugal Continental (Serras de Valongo).São conhecidas, nos Fojos das Serras de Valongo, quatro populações, com um efectivo total estimado em cerca de 300 indivíduos.

Dada a sua distribuição actual, torna-se urgente intervir no sentido de proteger estas populações. No que diz respeito a medidas de conservação, a espécie consta dos anexos II e IV da Directiva 92/43/CEE, e as populações conhecidas encontram-se inseridas no Sítio da Rede "Natura 2000" PTCON00024 ("Valongo"). Foi recentemente proposto, no âmbito do projecto "Distribuição Geográfica e Estatuto de Ameaça das Espécies da Flora a Proteger", que lhe fosse atribuído o estatuto de "Espécie Crítica" para Portugal. Como medidas práticas de conservação, propõe-se a limpeza e preservação dos fojos das Serras de Valongo, em cujas cercanias deverá ser reconstituída, de forma gradual, a vegetação florestal autóctone característica da região.


Distribuição geográfica de
Culcita macrocarpa


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